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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Roupa suja de time grande se lava assim...

Fala Galera

Ia escrever uma postagem sobre a "invasão" de alguns torcedores do Vasco em São Januário, mas desisti depois que li a coluna do Hélio Ricardo do SuperVasco. Não tiro um palavra dele e reproduzo aqui na íntegra suas sábias palavras:



Em primeiro lugar é bom que se lembre o velho dito popular: “roupa suja se lava em casa”. Quando a roupa está muito suja, começa a incomodar quem é de casa. Quando a casa fica passiva diante da sujeira, favorece que outros venham de fora e se prontifiquem a lavar.

No meu entendimento, foi isso que acabou acontecendo no Vasco esta semana.

Não fomos "invadidos". Invasão não é isso. Invasão é coisa de elemento estranho, alheio, incomum. Invasão é feita por quem não tem vinculo e quer se apoderar do que não lhe pertence. Um invasor, um elemento estranho, não poderia circular dentro do estádio nem ter acesso a portões ou aos gramados. E ninguém disse que os que assim fizeram o fizeram por força ou por violência. Então que “invasão” foi essa?

É bom que se aprenda um outro dito popular: “quanto maior o gigante, maior a queda”. Estão esquecendo que o Vasco é grande! Estão tão acostumados com as derrotas sob aplausos, com as eliminações por omissão ou por atos destrambelhados dos responsáveis que acabaram pensando que o Vasco é menor do que ele efetivamente é.

Não é, não!

Acordem!

O Vasco é grande!

E clube grande – todo mundo sabe – é assim mesmo. O racional e o irracional, o lógico e o ilógico, a impulsão e a repulsão se dão na mesma proporção. Para uns a cobrança soou como ato de vandalismo. Para outros, como ato de vagabundagem. Muita coisa foi dita, muita coisa foi noticiada para vender “furo de reportagem”.

Fui à fonte apurar o que efetivamente aconteceu.

Conheci, ainda naquela fase sofrível do rebaixamento, um sujeito chamado Luiz Claudio, presidente da torcida que esteve nos gramados de São Januário cobrando o que definitivamente esses jogadores não vêm demonstrando: dignidade com a camisa que vestem. Claudio é um rapaz educado, simples, discreto, que fala de forma articulada e em momento algum lembra os representantes truculentos e algozes que vitimam pessoas e fazem apologia da pancadaria em prol de suas torcidas. Ele é inteligente e diplomático, diferente da carcaça de "feras dos estádios" usada tantas vezes por outros correligionários. Claudinho não é congênere: ele é sui generis.

Não sou parente, nem amigo de infância, nem cunhado do Claudinho da Força Jovem. Não sou integrante da torcida, nunca vesti uma camisa da Força Jovem e – se querem que eu seja sincero – nem assisto aos jogos dentro da torcida (prefiro ficar de fora assistindo ao seu espetáculo visual). Mas fiz algo que – tenho a mais certeza absoluta – ninguém ou quase ninguém fez: fui até o Claudinho apurar o que realmente aconteceu e qual foi a sua intenção. Não vim aqui absolvê-lo de sua atitude, porque também não liguei para ele no intuito de julgá-lo nem condená-lo. Com alguma inteligência que a vida me ensinou a ter, calculei imediatamente que, se tivesse ocorrido uma "ação de marginais" em São Januário como muito supunham, certamente a diretoria teria chamado a polícia e registrado ocorrência. Se nada disso ocorreu, é porque nenhuma violência ocorreu também. Simples assim. Dois e dois são quatro, todo mundo sabe.
Ou alguém acha que são cinco?

Conversei por longo tempo no telefone com o Claudinho e fiquei feliz com o que ouvi. Não porque tenha aprovado – volto a dizer – a cobrança que foi feita, da maneira como foi feita, no momento em que foi feita. Mas porque Claudinho me convenceu de que a “visita” (prefiro tratar o fato assim) foi pensada de forma reflexiva e inteligente..

Claudinho não vive do clube: ele é SÓCIO ADIMPLENTE do Vasco e PAGA ingresso para assistir aos jogos do nosso Vasco. Tal como ele, TODOS os líderes da torcida que o acompanharam eram SÓCIOS e ADIMPLENTES. Ele mesmo teve o cuidado de selecionar essas pessoas para que o protesto tivesse propriedade. Bem, só esse dado já mata boa parte da distorção que fizeram do fato.

Então eu começo a fazer uma série de perguntas decorrentes dessa minha investigação do fato: qual é a diferença de um sócio do clube quando ele é de uma torcida organizada? Ele fica inibido? Ele fica coibido? Ele fica proibido? Ele fica acuado sem poder protestar?

A diferença é que, ao contrário dos torcedores que muitas vezes nem sócios são (e, quando sócios, são inadimplentes) esses caras foram lá em São Januário exigir respeito e dignidade com a camisa que vestem e pelo dinheiro que pagam. Se todos os sócios do Vasco fizessem exercer a sua “cidadania vascaína”, certas coisas não aconteceriam e jamais teriam acontecido em nosso passado próximo!

E é bom que quem está no Vasco e quem continuou no Vasco saiba e se acostume com o que disse o Claudinho: civilizadamente serão sempre cobrados, porque o Vasco – desculpe se ainda não sabem – é GRANDE! Já vimos torcedor de time grande bater, acuar, apedrejar, dar até tiro em treino. Isso sim é acinte, crime, agressão, violência. Agora... cobrar? Que mal há em cobrar?

Repito várias vezes: não justifico o que foi feito, mas não me conformei com o que foi dito e virou notícia. Fui à fonte. E a fonte me revelou coisas muito diferentes da leitura primária de vandalismo e vadiagem. Eram torcedores indignados. Se estivesse tudo bem, teriam entrado para pedir autógrafo. Como está tudo muito errado – porque o Vasco na penúltima posição na terceira rodada de um campeonato É ERRO – foram cobrar. Pleitearam essa reunião e não foram atendidos. Não estou respaldando seu ato, mas estou me isolando “antropologicamente” do meu juízo para entender que eles, de forma sociável e sem agressão, abordaram os atletas e exigiram o que uma “imensa torcida bem feliz” muitas vezes se omite e não faz. Enquanto muitos viram casaca ou entram em sites infames para fazer politicália e denegrir a instituição a troco de moedas e vaidade, esses caras foram dentro do Vasco exigir a mudança que, afinal, todo mundo quer.

Ou alguém acha que o Élton e o Nílton não mereciam uma pixotada da torcida, digna das que eles dão na bola dentro de campo?

Não podemos embarcar em argumentos fáceis do tipo “o que esses vagabundos faziam três da tarde? não trabalham?”. Faziam, provavelmente, o que outros torcedores, nesse mesmo horário, também fizeram nas vezes em que jogaram moedas em Leandro Amaral, participaram das manifestações de rua e mesmo das eleições do clube. Ou o clube tem eleição de meia-noite às cinco?! Por que os outros podem e eles não? É essa a hora de chacoalhar as torcidas organizadas? É assim que se faz?

Por que a discriminação? Qual é a diferença?

Agora vou ao ponto mais nevrálgico dessa celeuma. O recado dado pelos torcedores a esse elenco - sugerindo que “quem não quiser jogar com essa camisa, vá embora enquanto o campeonato apenas começa” - é fruto de uma miopia que estamos vivendo. Estamos diante de uma coisa e vemos outra. Estamos venerando e adorando coisas sem resultado. Nosso melhor jogador nunca joga, mas queremos renovar seu contrato a qualquer preço. Eu pergunto: o que não mudou em um ano e meio vai mudar agora? O Jefferson e o Fágner vão sair da maca e comer a bola em campo um ano depois? O Tite vai ter categoria? O Nílton vai parar de colecionar expulsões e furadas?

Estamos fora do nosso nível. Não temos, em nosso elenco, um único jogador que pudesse ao menos ter sido injustiçado na convocação da seleção brasileira. Nenhum! Se não temos um jogador desse porte, que craque temos, afinal? É um Vasco sem jogador de repercussão e apelo nacional. Conclusão clara. Vivemos do talento precoce de Philippe Coutinho (a quem os mais afoitos já atiram todas as pedras) e Souza. Que mais? Ramon vai mostrando personalidade. Carlos Alberto tem 24 anos e é “o melhor do Vasco”. Ele é craque? Ele é diferenciado? Por que não aparece na lista de candidatos a uma vaga pra Copa? Só é bom no Vasco? Mas... joga? Consegue?

É muita pergunta sem resposta!

O único jogador que decidiu alguma coisa pra nós – decidiu de verdade, no pau, decidindo um jogo e um título – foi Alex Teixeira. Foi dele o gol salvador na angustiante partida em que o Vasco virou o jogo decisivo da Série B e foi campeão da Segundona. Tinha Carlos Alberto, tinha Ramon, tinha Philippe, tinha Souza. Mas quem fez a jogada individual que decidiu foi Alex Teixeira. Que foi embora, naquele que poderia ser o seu ano no Vasco e no futebol brasileiro.

Depois disso, pergunto eu: quem decidiu um título pro Vasco?
Quem fez um gol decisivo nas partidas seguintes?
Só tivemos a expulsão tosca do Nílton e do Tite, com seus pontapés grosseiros na final da Taça Guanabara, “decidindo” uma taça em favor dos outros. No último jogo, o mesmo Nílton deu dois gols pro adversário. E ainda tem gente que idolatra os “ídolos B”, esquecendo que estamos no “mundo A”.

Apequenamos nosso raciocínio. Ficamos míopes. Distorcemos tudo. A base do time do ano passado é NADA: tem que refazer tudo de verdade. Não era um planejamento para a Série B e outro pra Série A? Cadê a diferença?

Já entendemos que Rodrigo Caetano é fundamental nesse processo de reestruturação, mas – com todo respeito à sua figura, a quem eu nutro especial admiração – ele também precisa se repensar, porque quem vem pro Vasco tem que vir PRA GANHAR, e não estamos ganhando NADA! Se não o deixam trabalhar, que o deixem! Se ele não está vencendo com alguma estratégia, que a mude! Mas ele, o nosso tão respeitável cavalheiro Rodrigo Caetano, precisa estar apto a entender que a torcida só vai “invadir” o gramado para apertar jogador quando a gente, temporada após temporada, ficar trocando seis por meia dúzia, jogador mediano por jogador mediano, mantendo os melhores (que são os melhores só do Vasco, mas não “os melhores do futebol”) e trazendo mais entulho pro lugar dos entulhos que saíram. Tipo "Geovani Maranhão por Fumagalli" ou "Cesinha por Vílson"... se preciso me fazer mais claro...

Não tem dinheiro pra contratar jogador bom? Faz o seguinte: dispensa todo mundo que é fraco, sobe os juniores com fome de bola e amor à camisa e mantém os “melhores”. Uma massa dessas na mão do Roth certamente vai andar. O que dói é somar dez salários de jogadores medianos/medíocres e impedir uma contratação boa com essa verba. Se o Vasco trouxer um jogador de verdade – um Diego, um Keirrisson, El Tanque, um Felipe, um Deco, sei lá quem! – a torcida vai esquecer os ídolos que temos rapidinho, porque vai ver um time com reforços e cara de campeão.

E aí a torcida e os sócios (adimplentes!) não precisarão entrar em campo e fazer esse papel desagradável de pedir a quem não quer ser Vasco que não seja!

Quero agradecer ao Claudinho da Força Jovem pela educação, pela simplicidade e pela gentileza com que me esclareceu todas as coisas e deixou claro não o sentimento de uma torcida organizada, mas o CORAÇÃO e o SENTIMENTO de vascaínos que ACREDITAM no clube, PAGAM sua mensalidade e EXIGEM respeito de quem veste essa camisa.

Não nos ensinaram a cantar que “O SENTIMENTO NÃO PODE PARAR”?

Não parou!

E agora? Agora aguentem! “Ação e reação”!

Incentivaram a paixão? Entendam que não é uma paixão qualquer: é paixão de verdade, e paixão de verdade mobiliza.

Que pena... esqueceram a grandeza do Vasco e acharam que tudo passaria em branco... como aquela entrevista do Nilton após o primeiro tempo contra o Avaí, sorrindo, como se não tivesse falhado grosseiramente no lance do gol.

Não passa em branco! Passa em PRETO E BRANCO, com a CRUZ DE MALTA no peito!

Até que aprendam a pensar o Vasco como um VASCO GRANDE...


Saudações,
Michel Macedo

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nova Camisa do Vasco


Fala Galera
Não poderia deixar de comentar sobre a nova camisa do Vasco. Cada um pode ter sua opinião, mas eu achei muito LINDA!
Foi mais uma ótima estratégia do nosso Marketing, o Clube arrecadará com as vendas. A camisa foi escolhida por NÓS, VASCAÍNOS, através do Site Oficial. Quem está reclamando, em minha opinião não participa do dia-a-dia do Vasco, pois não viu a enquete, não votou e agora fica reclamando. Alguns torcedores vêm demonstrando extrema indignação.
A mesma indignação manifestada por membros do Conselho de Beneméritos do Vasco da Gama, presidido por Eurico Miranda, que queriam vetar o uso da nova camisa em jogos do clube. Não deixa de ser curioso observar a situação financeira do Vasco de hoje e ver que nesse conselho estão pessoas que foram responsáveis por levar o clube ao estado atual, em especial o já citado presidente desse conselho. Seria irônico, simplesmente, se não ameaçasse uma nova e saudável fonte de renda do clube. Felizmente para o clube, e essa é minha opinião, o presidente Roberto Dinamite, depois de conversar com seu diretor de marketing, determinou o uso do novo uniforme no clássico contra o Fluminense.
A amparar sua decisão, alguns números muito simples: em apenas cinco dias, mais de 70.000 camisas foram vendidas, gerando uma receita de pouco mais de meio milhão de reais para o clube.

O mais curioso nessa pendenga é que a nova camisa é realmente muito bonita e não só não desmerece como ressalta a tradição do manto vascaíno. E o tradicional uniforme vascaíno não será abandonado, continuará sendo a imagem do clube. A nova camisa, por mais bonita que seja, é tão somente o terceiro uniforme e, dado o sucesso que vem fazendo, poderá um dia, ser substituído por outro. O caixa agradece.
Para quem estiver com mais tempo, sugiro a leitura do longo, mas emocionante Texto-Poema abaixo, de autoria do Colunista Hélio Ricardo, do Site SuperVasco:
" Ver uma camisa vascaína é como ver a divindade. É ver, ao longe, um homem comum carregar, no peito, a insígnia do mais incomum e mais perfeito dos homens que já passaram pela Terra. A camisa do Vasco tem a mensagem de Cristo! A camisa do Vasco tem a mensagem da cruz!
Ver uma camisa vascaína não é ver uma cor. O Vasco tem cor, é fato, mas não é por sua cor que ele é Vasco. O Vasco é Vasco por sua cruz, símbolo vitalício e perene. A cruz de malta, decantada em verso e prosa na camisa vascaína, é ostentada no peito, sobre o coração, símbolo vivo da trajetória que a faixa lhe empresta, singrando mares e desafios, atravessando fronteiras de paixão e emoção. O Vasco - reafirmo! - não se traduz por suas cores alvinegras, mas por sua cruz pulsante, vermelha do sangue vivo e da paixão de seus torcedores extasiados. É ela - a cruz de malta - quem personaliza e difere o Vasco de todos os seus adversários de cor igual.
Já não importa se a cruz do Vasco é de malta ou não dentro do contexto histórico oficial: ela se fez cruz de malta no hino, no amor, na devoção de uma imensa torcida bem feliz, todos devotos dessa força que transcende os gramados e ilumina com fé e alegria os dias difíceis daqueles que a ostentam.
A nova camisa do Vasco é a afirmação da identidade de um clube. A nova camisa do Vasco é a cruz dentro da cruz, é a prorrogação do jogo da verdade, é a explosão da paixão em um tamanho diferenciado onde a cruz sai do peito e abre os braços, abraçando quem a veste. Se até aqui fomos renitentes em abraçar a cruz de malta, hoje é ela quem nos abraça na nova camisa do Vasco.
A nova camisa do Vasco traz uma cruz que nos identifica, que concentra nossa vocação e nossa militância ideológica nos caminhos da ressurreição e da fé, da esperança de dias melhores, da afirmação daquilo que somos. Ela ostenta nosso panteão com o símbolo que nos é mais sagrado; ela revela a nossa força máxima, que é a expressão do ponto menor de nossa bandeira exposto em perspectiva maior. Ao longe, quando perde-se a visão dos detalhes e todas as coisas parecem iguais, prevalece a imagem agigantada da cruz vascaína correndo no gramado, sob um fundo branco de paz.
A nova camisa do Vasco foi votada e escolhida pelos filhos de São Januário, pelos que têm a gênese da paixão cruzmaltina correndo nas veias. Foi feita para representar, dentro das quatro linhas do gramado, o anseio e o enlevo de seu séquito fiel de torcedores apaixonados. Aquela cruz vultosa que se faz prevalecer na nova camisa vascaína é como um brado de vitória de seus torcedores, ávidos por verem o Vasco prevalecer nos gramados. Por ser, a seu tempo, um novo grito de sua torcida manifesto de forma tangível, revive a mística da construção do Estádio de São Januário, quando fez-se necessário que o amor pelo clube se manifestasse materialmente através de seus torcedores. A exemplo da construção do estádio, a camisa também foi confeccionada pelo clamor da torcida, e exala as mesmas notas de paixão e entrega que tanto nos falam acerca de nossa própria história. Não é por menos que sua gola interna traga a inscrição "Gigante da Colina" repetidas vezes: ela é um manto que reforça o Gigante, a Colina, a história! E traz bordada, na parte traseira da camisa, a nau vascaína, qual azulejo ou mármore onde nosso brasão aparece entalhado.
Ali, na camisa nova do Vasco da Gama, não está a faixa que acompanha a cruz de malta nas camisas oficiais. A faixa, que representa o caminho, foi suprimida não por exclusão, mas por um conceito simbólico: em perspectiva está a cruz da fé, e por ela - pela fé - os caminhos se fazem, os mares se abrem, as esperanças se renovam. A amplitude da cruz evidencia que os caminhos serão imaginários, abrir-se-ão quando menos se puder imaginá-los - como aconteceu no último domingo, na vitória indiscutível e mágica contra o adversário sem cruz. É por isso que a nova camisa não tem a faixa visível: com ela, a faixa surgirá aos olhos da fé, aos olhos dos que crêem, assim como surgiram os passes mágicos e abençoados de Carlos Alberto para as jogadas certeiras de gol. Aquela cruz engrandecida aponta para o fim do racismo, da discriminação, da humilhação, do preconceito... ela aponta para a fé que só o Vasco teve de que todos poderiam, um dia, serem iguais.
Ser abraçado pela cruz de malta na nova camisa do Vasco é quase uma dádiva. Vesti-la é sentir-se acolhido e protegido por uma armadura, é ver-se como cavaleiro templário do futebol; é redimir-se das culpas; é vencer o pecado e a morte, é revestir-se de toda armadura de Deus contra as investidas do mal. A nova camisa do Vasco transborda em estética e graça, carrega a insígnia que adorna a realeza do futebol. É o nosso orgulho exponenciado, o nosso símbolo-mor exaltado, ocupando os espaços, transbordando camisa afora além de onde sempre esteve limitado, fazendo-se maior e mais querida, mais forte e mais imponente, mais vívida e mais vitoriosa. Ela se impõe e se expõe, se assina e nos assina, fala de si e fala de cada um de nós como amantes dessa bandeira vascaína que nos conduz.
Eu tenho um orgulho redobrado, um arfar no peito, um afago na alma, um acalanto no espírito, uma lágrima refulgente percorrendo o rosto, quando vejo e quando visto a nova camisa do Vasco. Porque ela me ergue, me abençoa, me eleva, me lembra daquilo que eu sou e daquilo que tenho por patrimônio e honra.
A nova camisa do Vasco faz ressoarem as primeiras estrofes de seu hino, que proclamam a cruz de malta como seu pendão.
Eu visto a nova camisa e grito: Vasco! Vasco! Vascoooo!!!
Mas já não sou eu quem grito: é ela, a nova camisa do Vasco, quem grita sozinha! "
E você, leitor, o que achou da Camisa? Gostou? Achou feia? Deixe seu comentário!
Saudações,
Michel Macedo

Eli: um herói vascaíno


Por Hélio Ricardo - Colunista do SuperVasco
" Saí do cinema anteontem, onde fui assistir a um filme e, dessa película, me veio a inspiração que talvez me faltasse para discorrer sobre o Vasco. O filme chama-se O Livro de Eli, e eu já faço a minha resenha de que é uma obra de rara singeleza. Sua mensagem implícita vai além do entendimento dos que querem assistir a um filme apocalíptico, de aventura ou ficção. O filme constrói uma narrativa paralela a essas expectativas para, de forma exemplar e com riquíssima fotografia, abordar um dos mais nobres e significativos sentimentos do homem: a fé. Não exatamente a religiosidade, mas a fé – que, segundo a própria Bíblia explica no livro de Hebreus, “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. Quando entendemos que fé é isso, entendemos que até mesmo os que se dizem ateus têm seus momentos de fé. Quando vestem a camisa de seu time e vão para o estádio antes da partida, fazem-no porque crêem que voltarão vencedores, que ganharão títulos, que abraçarão uma multidão (de irmãos?) desconhecidos e iguais, entoando os mesmos cânticos e a mesma paixão. Por quem? Pelo clube – essa entidade etérea e inexistente no plano físico ou pessoal, mas que se faz presente nas mentes, nos corações, nas vidas, nas lembranças, nas esperanças de cada torcedor. Torcer por um clube é uma experiência correlata de fé. Quantas vezes não vestimos aquela camisa linda, apaixonante, sozinhos, no interior de nosso quarto... e, ao tirá-la do armário, nos vêm aquelas lembranças de jogos passados, de lágrimas nos olhos, de momentos gloriosos da cruz-de-malta (que é a cruz da ordem militar de Cristo, afinal)? É essa encantadora experiência de fé e resignação que norteia os caminhos do personagem Eli, brilhantemente interpretado por Denzel Washington no filme. Num mundo em cor sépia, destruído pela violência e pela guerra, a dor de um homem solitário não é maior que sua fé e sua esperança em propagar a existência daquilo que, a seus olhos, é a única possibilidade de redenção e reconstrução da Terra: a mensagem poderosa que está em um livro. Do outro lado, seu oponente pretende se apoderar dessa mesma mensagem para manipular, enganar, distorcer. Vai ser sempre assim: a experiência da fé se confundirá com a maldade da raça humana que quer aos outros manipular e de tudo tirar seu proveito. Então o caminho mais fácil será renunciar a fé? Travesti-la num juízo derradeiro de que ela é manipuladora - e não o homem que dela se apodera? Aos mais valorosos, caberá o destino de ser um Eli como esse do filme: peregrinar sozinho pelo deserto, enfrentar sanguinários assassinos e passar sede e fome em nome de um ideal que, enfim, parece justificar esse sacrifício. Sem messianismos e sem deslumbramentos, vejo assim os caminhos do Vasco de hoje. A sanha impetuosa do maniqueísmo desenhou heróis e vilões para digladiarem nessa trajetória da caravela pelos mares revoltosos, e nós, torcedores solitários, não aguentamos mais a dor de ver a camisa abandonada, se perdendo e sendo perdida em campo, trocada por derrotas e indiferenças que jamais seriam capazes de traduzir a verdade do Vasco original. Enquanto os Elis vascaínos saem de casa, trilham as regiões desertosas e respiram poeira e sede nos estádios à míngua, os dias vão passando e nada parece acontecer de diferente. Estamos sozinhos, defendendo nossa crença. Não vemos nada mais que nossa fé e nossa esperança nas trilhas dessa estrada seca e sem frutos, onde ruínas e escombros traduzem aquilo que fomos e tivemos no passado. Mas é a fé, a nossa fé – fruto de nosso sentimento que não para – que nos leva a marchar em busca de diferentes horizontes. O Eli bíblico era aquele sacerdote que via seus filhos roubarem o melhor das ofertas do altar, se prostituírem e enganarem a Deus. Era um pai e sacerdote que, velho e cansado, perdeu o ímpeto de defender sua fé. Nada fazia diante das circunstâncias. Veio-lhe a voz do profeta anunciando que aquele sangue seria requerido de sua inércia, de sua inoperância. Eli perdeu seus filhos assassinados e tombou da cadeira, já velho, quebrando o pescoço e morrendo. Mas o Eli do filme a que assisti era um homem diferente. Ele tinha convicção de sua missão e soube defendê-la até o fim. O Vasco, apesar de tantos desacertos e desencontros, tem homens assim. Tem homens e meninos assim. Sem querer citá-los para não cair na obviedade, ainda é tempo para que esses homens que vestem a nossa camisa se lembrem da torcida que peregrinou pelo deserto árido que foi o ano de 2009, carregando o time nas costas e no coração, empurrando com gritos e lágrimas aquele grupo para a conquista. As vozes daqueles 80 mil que clamavam nos estádios, o canto emocionado e único daqueles “Elis” apaixonados, movidos por um ideal, há de contagiar os novos vascaínos e suas camisas hão de ressuscitar, de se inflamar, de se insurgir contra o marasmo e as derrotas! A imagem de Denzel Washington caminhando no deserto do abandono como quem busca a palavra de esperança e de transformação me deixou uma grande lição paralela: a lição de Adão, de Fausto, Danilo Alvim, Ademir, Bellini, Alcir Portela, Roberto Dinamite (o jogador), Geovani, Tita (o jogador da camisa virada sobre o rosto), Cocada, Bismarck, Valdir, Juninho Pernambucano, Carlos Alberto, Alex Teixeira, Philippe Coutinho... a lição do renovo, da esperança, da superação. O filme falava sobre combater um bom combate, cumprir a carreira e guardar a fé. E eu, um apaixonado por essa cruz de malta e por essa bandeira, saí do cinema achando que Eli era nada mais, nada menos... que mais um torcedor vascaíno! "
Saudações,
Michel Macedo